(…) Não ouviram falar daquele homem louco que em plena manhã acendeu uma lanterna e correu ao mercado, e pôs-se a gritar incessantemente: “Procuro Deus!” ? – E como lá se encontrassem muito daqueles que não criam em Deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. “Então ele está perdido?” perguntou um deles. “Ele se perdeu como uma criança?” disse o outro. “Está se escondendendo?” (…) O homem louco se lançou para o meio deles e trespassou-os com o olhar. “Para onde foi Deus?”, gritou ele, “Já lhes direi! Nos o matamos – vocês e eu. Somos todos seu assassino! Mas como fizemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? Que fizemos nós ao desatar a terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos? Para longe de todos os sóis? Não caímos continuamente? (…)”
Friederich Nietzsche – A Gaia Ciência (1882) – aforismo 125

