Reveillons, anos novos, passagens, enfins. Sempre aquela balela de vida nova e promessas mil, apesar de em nenhum outro mês do ano rolar uma festinha pra celebrar mais um ano completado. Seres humanos possuem a desvantagem de necessitarem de datas para marcar a vida. Malditos Gregório, Juliano e Romanos.
Hoje acordei com a macaca!
Aproveitei o climinha de “Oba-oba! Tudo vai mudar ano que vem!”, pus a máscara por causa da minha alergia à poeira e dei A geral no meu quarto, que agora terá que acomodar minha baterinha querida do coração novamente. A seguinte filosofia deveria ser seguida para a limpeza: “Tudo aquilo que eu pensar se devo guardar vai pro limbo. Só aquilo que for necessário sem pestanejo que permenace”. Sem dúvida nenhuma zilhões de coisa que ainda não servem mais pra nada continuam, mas eu consegui minimizar consideravelmente a quantidade de lixo armazenado no meu dormitório.
Nessa brincadeira foram umas 50 pilhas AAA (frutos do meu Muvo), umas 30 revistas de informática de 2003 e 2004, umas 7 toneladas de papel, 738.5 mil coisas menos importantes e um bucado de roupas e calçados que não me servem e/ou não me agradam, que vão ser repassados pra pessoas que vão fazer melhor uso delas do que eu.
É impressionante a quantidade de coisas que se guarda, nunca mais se acha e do nada resurgem. Os mais curiosos do dia foram as metades dos meus cisos, que estavam espalhados na gaveta e um punhado de cartas das namoradinhas dos meus 15 anos de idade, que hoje se tornam textos cômicos, mas interessantes para efeito de parâmetro de maturidade. Foram inúmeros papéis que você fica puto de não tê-los achado na hora que mais precisou.
Mas, como tudo na vida, a gente sempre tira uma lição de moral (afinal, pra que servem Branca de Neve, os Três Porquinhos e o Pequeno Polegar e a canelada na cama de madrugada?), vi o tanto de coisa que adquiri durante a minha vida que simplesmente caíram no esquecimento. Hoje não serviam pra absolutamente nada, além de ocupar espaço, o que é uma utilidade pouco positiva. A sensação de limpeza e “frescor” no meu quarto impressiona. Posso sentir o ar feliz em poder se movimentar sem tantos obstáculos inúteis pelo caminho. A luz do sol iluminando os cantos outrora obscuros por seres inanimados monstruosos. A alegria daqueles que foram escolhidos para ficar, apesar da perda de companheiros queridos, entendida que era para o melhor de todos, obviamente. Tá. Pronto.
E o legal disso tudo é ver como a prática de tirar coisas inúteis deixa as coisas mais claras não só no seu ambiente, mas na sua vida. O próximo passo é realizar uma limpeza dessas na minha vida. O que não servir pra nada vai pro espaço. Nem que sirva pra futilidade, pois essa mostra pra gente que a felicidade é mais fácil pra quem é idiota.
O que me incomoda é o diabo da superficialidade.

