Archive for February, 2006

Ode ao gato onde há ódio ao gato

Texto de Arthur da Távola 

Vi no “Fantástico” os cadáveres de muitos gatos, postos em fila no Passeio Público, atestado silencioso da matança brutal que anda por lá. Fiquei pensando no tanto que escuto sobre gatos. Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso. Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis.

Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do mago Merlin, soprando-me o artigo?

Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso.

“Falso”, porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se se lhe dá, então ele exige.

Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno, ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe “ler” pensa que “ele não está ali”, “saiu” ou “sei lá onde o gato se meteu”. Não é isso! Precisamos aprender a “ler” porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.

Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação o assusta. Ingratos o desgostam. Falastrões o entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase quinze minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, ao qual ama e preserva como a um templo.

Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.

Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, sem veemências, sem exigências.

O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo Mistério à disposição do homem.

Incomodou a caixola Diogo Freire 24 Feb 2006 2 Comments

Rolling Stones

Metas de vida são coisas extremamente importante. Ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore são três, entre milhões, que todo ser humano já nasce predestinado a fazer. Outras coisas são opcionais de fábrica, que nem todo mundo, pelos mais diversos motivos faz.
Semana passada eu me resolvi, de última hora, ir pro show dos Rolling Stones – A Bigger Band Tour, Not Just a Concert. Não sou fã, nem conhecedor da trupe. Mas juguei que como músico e ser humano antes de tudo (eu acho), deveria ir ajudar a fazer história, nem que fosse só a minha. E não tenho muito o que dizer, a não ser: Foi foda bagaramba! :D
Não, não foi o melhor show da minha vida. Não, não foi nada do que a gente acha que um show internacional deve ser. A coluna de som, bem na nossa frente deu pau, e a gente não ouviu umas três músicas do show. O máximo que consegui ver além do telão, de uma distância da mais ou menos 2km do palco foram uns pontinhos coloridos correndo por lá. E amedontradora a idéia de estar no meio de 1,2 milhões de pessoa. É gente pra mais de metro… Mas foi foda! E é nesse ponto que você vê o quanto uma coisa é importante no mundo. Eu fui conhecendo umas três, quatro músicas no máximo, e mesmo assim, mal conhecidas. Acabei por descobrir que eu já tinha ouvido quase todas em algum momento, mas não sabia que era Stones. A magia em volta da idéia é o que fez a coisa ficar bacana! É impressionante o fato de, lá pelos 70 anos, o Tio Jagger ser o conceito “Sex Appeal” em pessoa. Ele, sem dúvida, é o melhor vocalista em termos de presença de palco que já vi na vida. Keith Richards tem todo um show à parte, só dele. Já em contrapartida ao coleguinha Jag’ (intimidade rocks), Charlie Watts é o conceito de sorte em pessoa, porque bateria que é bom… Ele não toca mal. Mas ele só toca. E só. O que também tem suas milhares de opiniões.
Tirando isso, o fato mais engraçado da viagem ao Rio é ver como o mundo muda dentro de uma quase mesma cultura. Talvez o fato que mais me agradou foi a substituição de frases mineiras por genéricas cariocas, tais como “Nú véi!!!” traduzidas para “Caraaaaalho Brother!”, e “Doidimais” que se transforma em “Manêro, aê”. Fiquei meio puto no começo, mas depois vi que não é porque eles gostam. Eles são meio estúpidos de natureza mesmo, mas isso não é um ponto negativo. Cultura não se discute. :)
Eu tenho uma velha idéia de o que faz as coisas ficarem boas sempre são as companias. De fato, nos melhores momentos da minha vida, ou eu estava sozinho, ou com pessoas fodas! E esse foi um deles. A galera que eu fui era extremamente bacana e sadia, o que fez com que o show passasse de muito bom pra fodão. Idéias assim fazem com que a gente conheça figuras bacanas, o que renova nossas energias e dão um outro conceito pra o que a gente conhece e não conhece.

I can’t get noooooooo… Satisfactioooooonnnnn…

Era pra entender? &Lava roupa todo dia &Viva a Música! Diogo Freire 20 Feb 2006 3 Comments

Matemática realista

Mais uma da série charadinhas matemáticas que acabam em filosofia tosca.
Eu conversando com a distinta senhora que, com a cara dividida ao meio, divide o topo desse blog comigo, me conto uma charadinha que meu Mestre me lança na última aula de Cálculo Numérico:

Diogo is about to see how Mick Jagger shakes his ass! says:
Tenho um paradoxo matemático fresquinho!
Daphne says:
Conte-me
Diogo is about to see how Mick Jagger shakes his ass! says:
Uma cidade do interior só tem 1 barbeiro. Esse barbeiro só faz a barba de quem não se barbeia.
Diogo is about to see how Mick Jagger shakes his ass! says:
Esse barbeiro não tem barba.
Quem faz a barba do barbeiro?
Daphne says:
boa essa, hein…
Daphne says:

a mulher dele
Diogo is about to see how Mick Jagger shakes his ass! says:
ela não é barbeira
Daphne says:
mas ela eh mulher dele.
Diogo is about to see how Mick Jagger shakes his ass! says:
sempre tem q ter uma mulher pra estragar tudo

Eu tô ficando profeta mesmo viu….

Incomodou a caixola Diogo Freire 17 Feb 2006 1 Comment

Mágica Matemática

Lewis Caroll, além de um grandessíssimo a tôa na vida, nas horas vagas era matemático e escritor. Pra quem não o conhece, a sua maior obra atende por “Alice no país das maravilhas“. Existem zilhões de teorias sobre a origem e contexto dessa história, mas talvez a mais intrigante por trás da história infantil seja a de que toda a viagem de Alice no mundo encantando seja, na realidade, uma real viagem após uma dose de LSD.

Ondas e drogas à parte, meu professor de Cálculo Numérico (definida por ele mesmo como a matéria que usa muitas contas, com muitos números, como o próprio nome diz), após conversar comigo sobre o fodão Gato de Cheshire, resolveu demonstrar algumas das proezas matemáticas de Caroll. Semi-inúteis, mas divertidas, anyway.

Mágica 1: Como ganhar dinheiro simulando super-dotismo

É bem simples, mas é conveniente brincar um pouco por sua conta para entendê-la melhor.

Escolha um número de quatro dígitos, tal como 1985, 3045 ou 6660. E peça sua mãe, pai, cachorro, irmão ou parede dizer um outro número de quatro dígitos. Para cada um deles, você vai escrever um outro número embaixo, também de quatro dígitos, de tal forma que ele se complemente dígito a dígito em 9. Isso é:

1430 tem como complementar 8569. Somando os dois temos 9999.

Prefixe um número de pessoas a perguntar anteriormente. O resultado final vai ser dado por

Y + (n x 10.000)-n, onde Y é o número que você escolheu inicialmente e n o número de pessoas que você fixou.

Contando assim, escrito, parece bobagem. Mas te juro que as 3 vezes que o professor fez isso a gente ficou bem nervoso com o fato de antes ele saber o resultado final.

Mágica 2: Caligrafia algébrica

Você tem um amigo que tem número horríveis no papel? Quer que ele treine a escrita dele, como no pré-primário?

Faça o seguinte. Peça ele pra escrever os 9 algarismos que não o zero em uma folha de papel. Assim:

1 2 3 4 5 6 7 8 9

E então peça pra que ele escolha o mais feio. Supondo “5″, peça que ele multiplique o número 12345679 ( sem o 8 ) vezes 9 vezes 5. A conta vai ser 12345679*45. Te juro que no final teremos a incrível resposta de 555.555.555. Só nessa o seu amigo já escreveu 9 vezes o número 5, e agora vai possuir uma arte bem mais bonita na escrita deste distinto número. E te juro ainda que isso funciona pra qualquer um deles. Escolhendo um número n, multiplicando n x 9 e depois vezes 12345679, teremos nnn.nnn.nnn.

Quem quiser as demonstrações matemáticas detalhadas, só me pedir… nem todo mundo merece isso… :D

É lógico que isso tudo tem um porquê! A lógica por trás disso é ridícula, mas existe.
Mas esse cara é quase um guru na arte de transformar vidas! Antes era só a Alice e a Rainha de Espadas. Agora duas mágicas matemáticas fodonas. Lindo!

Engenheiros são bichos bem estranhos. Ficam felizes com qualquer coisa cretina que envolva números…

Medo…

Era pra entender? &Mamãe sou Nerd &Pô! Peraê, carambola! Diogo Freire 14 Feb 2006 13 Comments

Viagens

Tenho várias coisas que volta e meio rondam a minha cabeça, que decidi escrever aqui, separadas, sem uma idéia central. Alías com a idéia central de não haver idéia central (tô cansando de falar coisas desse naipe…). Nada de polêmica. Só pensamentos esparsos mesmo.
- Existem algumas palavras que me causam estranheza, devido à possibilidade de aplicação da relatividade sobre elas. Algumas são, não necessariamente nessa mesma ordem: amor, ódio, eternidade, juventude, prazer, maturidade, brincadeira, religião, curiosidade, respeito, virtualidade, realidade, distância, diálogo, entre outras.

- Deus fez o homem à sua imagem e semelhança ou o homem fez Deus à sua imagem e semelhança?

- Não me julgo um cara preconceituoso. Tento sempre conhecer algo e/ou alguém antes de fazer um julgamento pseudo-concreto sobre tal figura. Mas pensei uma coisa interessante outro dia, tratando do preconceito sobre homossexuais, que julgava até então não tenho problemas com isso. Imagine a seguinte situação: você tem um filho, ou uma filha, de 2 ou 3 anos e precisa deixá-lo no maternal por uns tempos, por qualquer circunstância que seja. Você chega, conhece a professora. Conversa alguns minutos e vê que ela é uma pessoa confiável, bacana, simpática e bonita. Alguém normal, nos padrões conhecidos. Só que você não sabe que ela é lésbica. Lá pelas tantas, muito tempo depois, você descobre esse fato e decide não tirar a sua cria da escolinha, pois você a conhece e nela confia, e acha que isso não vai influenciar em nada na preferência sexual da sua criança. Mas isso é algo que você só vai ter resultados na adolescência do seu filho. Agora, ignorando o desenrolar das consequências e voltando à raiz do problema: e se o professor fosse homem, e não se portasse como gay, fazendo com que a mesma situação ocorresse? Você se portaria da mesma forma? Pra finalizar: e se a figura fosse um travesti ou uma lésbica que se porta como homem? Você cogitaria a hipótese de matricular o seu filho na escola?

- Não é engraçado como o tempo é um fator “concreto” só quando estamos acordados? Me fascina o fato de podermos ter um sonho com duração de 20 horas em uma soneca de 10 minutos. Será que a gente pode fazer com que isso ocorra conscientemente?

- Existe uma redundância foda em “Como pode um peixe-vivo viver fora d’água fria”, ou eu que sou chato mesmo? Ou ela é intencional? Ou só licença poética e é melhor que eu cale a boca e vá tocar bateria?

- Ex é ex, e vice-versa.- Shit happens. Isso implica em: “Murphy rocks!”

- Não há nada melhor que ver quem a gente gosta feliz. E não há ninguém capaz de me provar o contrário.

- Amizades não são eternas. Elas só duram enquanto existem.

- Fui a um clube alguns dias atrás, e observando as pessoas nas mais diversas atividades me perguntei como é possível dizer que alguns espécimies podem pertencer a uma mesma raça dos Homo sapiens. Isso fisicamente falando. Freud que se vire com a psicologia e derivações.

- Não tem como não categorizar. Conversando com vários amigos já vi que rola sim uma tachação musical, não que eu concorde com elas sempre. Funk é putaria, Sertanejo é dor de corno, Metal é irresponsabilidade, Jazz é Cultura, Música Clássica é enxeção de saco, Samba é cachaça, MPB é canção de ninar, Dance é barulho, Brega é brega e Pagode é churrasco. A parte divertida tá em quando concordar com isso.

That’s all folks! :D

Incomodou a caixola Diogo Freire 12 Feb 2006 3 Comments

Bases Aliadas

Ana Paula Arósio fica com Aécio Neves na festa de Burlamaqui

Sendo boato ou não, é por essas e outras que, além de amar meu estado, eu odeio o PT.
E um novo presidente se figura no Brasil…

Lava roupa todo dia &Pô! Peraê, carambola! Diogo Freire 08 Feb 2006 2 Comments

Caseiramente

Chego-me eu ontem, com fome, de mais um dia comum. Lembro-me eu que também ontem a minha véia voltou a trampar, e ela faz uma viagem todo dia pra longe pra burro, digna de Robson Crusoé. Amm… e daí? É… Eu concluí, espertamente, que teria que produzir a minha própria refeição noturna e dar um refresco pra ela! :)

Sendo assim, resolvi partir para o fast-food doméstico, que é aquele que geralmente conta com pão, e o tudo que aparecer na geladeira e for bacana dentro. Optei por queijo prato e ovo. Simplicidade com sabor, alegria e pão, obviamente. Sendo assim, resolvi cortar a onda da gordura e mandar uma técnica ninja que eu usei há muito tempo, que é uma parada de fritar ovo na água. Eu tinha certeza absoluta de como era o processo, as técnicas, tempos, posição dos dedos, e, ciente disso, parti pra batalha.
Tudo dando certo. Me jogo o ovo na água, e ele cai lindo. Começa a cozinhar inteiro, maravilhoso, como um jacaré albino e loiro nadando num rio em um dia ensolarado. E é nesse momento que me surge Murphy, das profundezas do oceano, e mostra seu poder, como uma águia voando sobre um rato sujo e faminto: minha mãe aparece na cozinha e me lança um: “Tá errado, não é assim que faz. Isso não vai dar certo”. Sabe o que é ver, no segundo seguinte, o sonho de toda sua vida se desmanchar e virar um caldo, um branco e cremoso caldo, com uma bola amarela passeando por ele, livremente a cantar “We all live in a yellow submarine!”? Você olha pra o lado e vê um dos seus gatos com a mão na cara olhando pra você e dizendo: “Seu Burro!”, enquanto o outro esfrega na sua perna numa tentativa deseperada de que você fique puto e jogue a bola amarela cantante pra que ele possa ser feliz com a sua desgraça.
Depois dessa etapa emocionante do processo, peguei a velha e boa frigideira, que respinga zilhões de pingos de ólea na minha barriga, fiz uma bacia de gordura com o ovo, além da questão de estourar a gema pra fazer aquela bagunça bacana, e só de raiva, tacar no pão, esperar o queijo derreter e mostrar pra humanidade que praga de mãe não existe.

Yeah baby, yeah!

Incomodou a caixola &Lava roupa todo dia &Pô! Peraê, carambola! Diogo Freire 07 Feb 2006 4 Comments

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