Archive for July, 2006

São Paulo Fashion Week

spfw.gifTem coisas que a gente não espera fazer na vida. Às vezes por falta de interesse, outras por falta de oportunidade. E esse fim de semana vivi uma das experiências mais divertidas e talvez inusitadas da minha famigerada vida: Fui ao São Paulo Fashion Week. Mesmo sendo um zero à esquerda no quesito moda e um completo zé ninguém no quesito glamour, foi uma oportunidade assaz interessante.

Com o poder de Vívian e a compania de Thaís e Mário adentramos o evento lá pelas 19hs do sábado passado (15/07). No início foi um passeio meio tímido da minha parte. Mineiro que sou, e acostumado a eventos de porte que eu julgava gigantes aqui em Belo Horizonte, devo confessar uma certa admiração pela organização e tamanho do evento. A prédio da Bienal de São Paulo é uma atração a parte. Andamos um bucado por lá e eu acho que vi metade daquele lugar. Além disso, as figuras que passeiam por lá são outra alegria da festa. Desde “os normais” às tribos clubbers, neo-hippies, drag-queens e alguns cartoons dignos de filmes de Hollywood.

Assisti ao desfile de Samuel Cirnansck que, segundo o release que li, quis trazer a ousadia da antiguidade mas de uma forma a dar poder às mulheres. O desfile é uma coisa maravilhante por si só. Aquelas mulheres magrelas e bonitas vêem, páram, ouve-se um monte de “tchek, tchek” dos fotógrafos, e lá se vão elas. Pelo menos foi essa minha ótica. Mas eu não consegui absorver muito do que eu acho que o estilista gostaria de mostrar. Talvez por ignorância minha. Mas mesmo assim achei interessante o protocolo e a ambientação musical e fotográfica para darem mais valor ao que o estilista quer passar.

Por fim, eu me coloquei a pensar sobre o preconceito embutido que existe na nossa cabeça – ou na minha pelo menos. Querendo ou não ainda acho um universo meio fútil, meio “demais”. É muita grana, é muita falação e muita luz pra falar de roupa, que é algo importante, mas nada mortal. Mas lá vi o quanto isso gira de dinheiro e influencia indiretamente o que a gente vai usar nas ruas. Lógico que ninguém vai colocar algumas peças mais exageradas, mas existe uma beleza ímpar em algumas das idéias que vi por lá. Além disso eventos como esse atraem um bucado de investimento pra o nosso país, além de fazer o nome de alguns de nós pelo mundo.

Fica aí minha recomendação e saudação ao evento. Vale muito a pena conhecer as coisas que a gente não conhece e se nega algumas vezes sem nenhum argumento plausível para tal.

Incomodou a caixola & Lava roupa todo dia Diogo Freire 17 Jul 2006 3 Comments

Pós-copa

O meu post anterior deixou clara a minha revolta com essa “atitude copa” que vivíamos. Mas foi pura demagogia. Eu vi todos os jogos do Brasil, e assisti alguns outros clássicos do futebol mundial. Eu me rendo pelo bom futebol às vezes, ou pelo menos na tentativa de vê-lo, como foi o caso dessa Copa. Mas nada de extremismos e felicidade condicional. Jogo é jogado, lambari é pescado…
Mas o mais legal é observar que o oba-oba acabou. Coito interrompido. Não senti um anti-patriotrismo de ninguém. Pelo contrário. Os que vi revoltados com essa baderna toda justamente o fizeram por revolta à uma nação de idiotas hipnotizados por uma coisa fútil como o futebol. É o circo, o teatro, é uma das únicas alegrias que o brasileiro tem nessa vida tão sofrida. Mas fútil, na minha opinião. E eu acho melhor não discutir sobre isso.

O grande lance do momento é a esvaziez da galera. Ontem e hoje andei por uma região mais simples de BH, no meio de uma galera que muito trabalha e pouco ganha. E o sentimento que tenho é a dó. É triste ver na cara das pessoas do povo ao qual você pertence uma coisa tão efêmera como a grande paixão. E é isso que dá quando você junta alguns milhões de dólares, uns patrocinadores espertos, uns caras que fazem um malabarismo, um povo meio ignorante e boa. É cervejada, chuva de vendas de camisetas oficiais e extra-oficiais, uma grande movimentação no mercado de tintas verde e amarela. De quebra coloca um locutor que ninguém gosta pra gritar e encher o saco pra piorar. E aí, quando tudo isso se faz inútil a depressão nacional é emergente. Piadinhas a parte do meu último post, é certo que meus desejos não se realizam. Existe um culpado. Sempre haverá um culpado no futebol. Um jogador mais velho e cansado, outro que deu um vacilo numa hora triste. Mas é o suficiente para extravasar. Mas aí todo mundo xinga, bate pé, faz dedo do meio pro ônibus e boa. Pode faltar dinheiro pra galera lá de casa comer, mas neguim vai tomar cerveja pra falar mal do fulano da seleção. E assim vamos.

Nessa brincadeira toda, acabamos sempre por fazer valer a incapacidade nata do brasileiro de não saber reconhecer um fracasso justo, quando se tratando da vitória da França sobre o Brasil. “Os franceses jamais foram melhores naquele jogo. Os brasileiros é que não souberam honrar a camisa.”. E o mais divertido era que ninguém contava com a não conquista da Copa. O que me parecia é que todo mundo especulava os países mais bacanas pra o Brasil pegar e vencer, pra parecer que a copa foi mais difícil e talz. Mas o título era certo! Garantido! E de uma hora pra outra puft! Já era. The End. Finish him. Ruas com as cores habituais, sem bandeirinhas, cartazes, talvez escuras por causa do frio, e um verde e amarelo presentes habitualmente em uma árvore, em uma flor mais resistente ou na fachada de um prédio um pouco mais preguiçoso que não foi patriota o suficiente pra se revoltar.
Tudo bem, ainda existe o Big Phil e os patrícios. A gente já tem como preencher o buraquinho do imbecil vazio nos nossos peitos.E se Portugal ganhar a copa, não vai ser a competência e trabalho português. Ele ganhou a copa por causa do brasileiro que tá lá. Porque brasileiro sim entende de futebol. E mais ninguém. E quase que só de futebol.

E há quem diga que a melhor partida da copa foi a da Argentina pra casa… Adorei essa piadinha sem graça antes do jogo! :P

Incomodou a caixola Diogo Freire 05 Jul 2006 1 Comment