Eu vou tomar o mesmo cuidado para falar isso durante todo o post a seguir. Eu não estou condenando nem julgando ninguém. Só estou contando uma situação que me incomoda, e a meu ver merece reflexão. E vou tentar também jogar os dois lados da moeda para abafar o fogo que possa vir na minha direção.
Eu tenho 20 anos e sou um cidadão comum, que paga suas contas em dia, atravessa a rua na faixa, não joga lixo no chão, dá preferência de lugares em ônibus e etc.. Mas, às vezes me ponho a questionar sobre gentilezas corretas, que viram leis e que acabam por não fazer jus ao bom senso. Aqui cabe dizer que bom senso no Brasil é uma coisa bem, mas muito mesmo, relativa, o que dificulta a nossa análise.
Mas a minha situação exemplo é a seguinte:
Hoje precisei resolver algumas pendências sobre o meu CPF nos Correios, que ainda é um orgão de alguma parte púbilca. Sendo assim, cheguei e peguei a minha senha de número 464. O letreiro chamava a senha 427. Existiam uns 15 atendentes – e que vale citar que trabalhavam com vontade mesmo, sem cinismo. O grande problema aqui é que para cada pessoa com senha a ser atendida entrava um idoso, com mais de 65 anos na fila preferencial. Em alguns casos, acumulavam-se 2 ou 3 na fila, e aí todo o atendimento de senhas parava. O fato é que, assim como eu, vi umas 25 pessoas apressadas por resolver problemas graves, aproveitando o horário de almoço de 1h para correr nos Correios. Para agravar os problemas, os velhinhos são pessoas calmas, que não têm pressa em resolver seus problemas, e são simpáticos com os atendentes e contam casos e mais casos – isso para comprar cartões, caixas de presente, guia de vestibular para os netos, entre outros.
O meu questionamento aqui é só para a praticidade e a finalidade. Entendo perfeitamente que a galera da melhor idade já pagou seus impostos pela vida toda e merece um pouco de conforto. Mas nesse momento a maioria ficou em desvantagem. Sei que esse é um julgamente complicado mas em geral os problemas do pessoal sem preferência era mais urgente e ainda existia menos tempo para que ele fosse resolvido. Eu era um dos que tava atrasado para o trabalho. Tenho certeza que alguns estavam lá sem o chefe saber.
Por fim, eu fiquei cerca de 30 minutos para ser atendido enquanto eu deveria ter gasto a metade do tempo sem a fila preferencial. Imagino que existam situações mais e menos caóticas do que essa.
O meu problema é que eu acho que esse direito justo e que tem sim de ser mantido, mas ao mesmo tempo acho que às vezes isso desprevalece uma maioria e pode vir a gerar um sentimento de revolta (o que já ouvi bastante hoje lá nas cadeirinhas confortáveis).
Tá aí a bola.
P.S.: Meu elogio à informatização dos Correios, salvo o fato de eu ter que informar todo o meu endereço enquanto eles já tem uma base de dados disso. Mas já é um passo.