Dia 14 de outubro lá pelo fim do dia eu me cheguei num lugar chamado Tom Brasil, em São Paulo, acompanhado do Thaís Pacheco e Iza Freitas e munido de ingresso para o show Carioca, do sir Chico Buarque.
Fui lá esperando ver o Chico que eu conhecia, na minha pouca porém interessada cultura sobre esse distinto ícone. Aquele Chico da época da ditadura, que protestava com a sua voz ruim mas com sua inteligência magistral, cantando alguns hinos, relembrando a nossa história ali ao vivo e tudo mais. Tudo bem que eu não tive o que esperava, mas não me senti nenhum um pouco onerado pelo Chico romântico que lá presenciei. De um jeito bem simplista: Puta que pariu! Que show foda!!
Como músico já ouvi muito se falar sobre carisma, talento e presença. Até então não tinha visto ninguém que representa tão bem essas três idéias sem ao menos precisar se mover. Chico Buarque faz o show inteiro parado, em pé nos mesmo 12,5 centimetros quadrados de palco que ele começou. Ele não conversa com a platéia (salvo pelo caso do sonho que ele contou), não reage a gritos histéricos de umas fãs mais acalouradas e também não conjuga nenhuma expressão corporal ou facial significativa. Mas ele de fato não precisa. O cara tem uma aura que faz o palco ficar pequeno. É hipnotizante. Eu não consegui materializar a figura na minha frente. O tempo todo parecia eu estar vendo o DVD do cara, de tão absurda a qualidade de som do show e de tão foda são os músicos que o acompanham.
Em tempo, das Neves Rocks!
Parece papinho de fã apaixonado, mas eu não o era e depois do show fiquei. Como disse ali em cima, eu não conhecia muito esse lado “para mulheres” dele. E depois que vi do que ele é capaz, recolho-me à minha insignificância. Ponho-me a perguntar se ele sabe falar tão bem sobre o interior das mulheres porque soube driblar a ditadura ou vice-versa. Mas isso é discussão pra mesa de bar!
Acho que está aí clara a minha recomendação. Tudo bem que você talvez não tenha uma amiga mais gente boa pra poder pegar um ingresso pra você e vai ter que sofrer na fila para vê-lo (como foi aqui em BH), mas vale a pena. É um show histórico, e você vai ter mó orgulho de contar isso pro seu neto metaleiro. Eu queria contar mais, mas tem coisas na vida que você precisa ver você mesmo, com os seus olhos que a terra há de comer.
O foda é que todo mundo tem um defeito. O dele é grave. Ele gosta do Lula. Vai entender…

O filme é muito bacana. Recomendo de com força. Nota +71 pra ele.
O ponto fraco é a impossibilidade física do desenterro de Kiddo. Pro enredo do filme é edificante. Mas é impossível fazer da forma que ela fez.
