Archive for December, 2007

Vira Ano!

Eu nunca fui o cara das datas. Eu esqueço de ligar nos aniversários, não me importo com dias especiais de profissão ou de qualquer coisa e nem com o meu aniversário. Essa idéia super filosófica e com ar de superior que “tempo não é limite” me agrada. Se ele não é limite então, pra mim, ele nada delimita. Uh!  Todavia 2007 merece um comentário. E mais um desabafo mesmo. :)

Tem um diálogo de Matrix Reloaded que, só esse ano, fez sentido pra mim. Ei-lo:

Niobe: I remember. I remember when you used to dance. I remember you were… pretty good.
Morpheus: There are some things in this world, Captain Niobe, that will never change.
Commander Lock: Niobe.
Morpheus: Some things do change. 

O mais legal de tudo é que eu vi que o mundo não muda. Todo mundo vai olhar pro próprio umbigo, todo mundo vai imaginar coisas completamente infundamentadas na própria cabeça e todo mundo prefere o mais complicado com o discurso da simplicidade. E eu consegui assumir que eu também sou assim, o que é uma vitória sobre o meu orgulho imbecil. E felizmente eu já tomei várias atitudes no sentido de atenuar essas atitudes estranhas. E isso me felicita.

2007 foi um ano bem difícil. Foi o ano que mais trabalhei na minha vida, e ao mesmo tempo não consegui o resultado que tanto espero (ainda). Foi o ano que também mais tomei porrada no meu coração de melão, cada hora de um lado e por um motivo mas, querendo ou não, foi o que mais concretizei vários conceitos de base que sempre tive e também destruí a maioria daquelas coisas que tinha como certas na cabeça em relação ao que os outros querem e esperam de você.

De qualquer forma, por mais que 2007 tenha sido um ano de poucas coisas nobres e grandiosas pra se contar é o ano que, com certeza, mais me senti dono do meu nariz e responsável por aquilo que faço. Felizmente também foi o ano onde mais fiz expectativas e aprendi a castrar os tesões que tanto me atormentam e me fazem tomar atitudes por hora loucas. Aprendi o dizer o tal do não (mesmo que ainda não o tanto que eu acho necessário), a tratar arrependimentos sem peso de consciência.

Ainda faltam algumas coisas. O tal do foco em si mesmo, da calma e organização em momentos decisivos e no aprender a lidar com as pessoas da forma que elas acham certo sem abandonar sua liberdade. Isso é difícil. Mas um dia sai.

Esse ano foi o ano que me faz sentir que eu construí meu caminho pro resto da minha vida. Vou sempre lembrar dele como o ano que tomei as decisões mais corretas (e que mais aprendi com os erros) pra o que aconteceu daqui pra frente. Mesmo capengando, ele deixa a deixa pra 2008 botar pra fuder. E eu prometo colocar o bicho pra pegar. E não adianta fugir. Ele vai pegar. :D

Bjão pro cês! E que todos os sonhos, mesmo os mais perversos e tímidos, se realizem! :P

Incomodou a caixola Diogo Freire 31 Dec 2007 1 Comment

O Teatro Mágico

tm.jpg

Por mais que existam 40 coisas na minha lista de pendências, eu gosto de posts que me perturbam e me fazem querer dar prioridade a eles. Desde ontem, ao chegar no Lapa que a cabeça começou a pensar em várias coisas. E eu quero compartilhar boa parte do que pensei. E eu vou escrever pra caralho. E tendo a ser babão.

Ontem foi ver O Teatro Mágico. Enfim, após vários meses de preencheção de saco por parte de Izabela Freitas, fui. A minha primeira opinião me diz que é sensacional, incrível e maravilhoso. Mas eu acho que dar pra ser mais detalhista e, lá pelas tantas tenho minhas críticas. Mas elas não são nada perto do que eu realmente achei do show.

Na verdade, o que mais me encantou é a pluralidade da coisa. Imagino que eu vá perder foco o tempo inteiro enquanto escrevo pois realmente existe muito pra falar. Simbora.

Um bom primeiro tópico é o público. Eu sempre tenho muita dificuldade com a aceitação de públicos xiitas. Até por saber que 70% dele não é tão xiita assim e tá na onda. Isso me dá um pouco de preguiça e medo, porque é aquele público que sempre vai reagir com uma certa histeria e nunca vai ter um olhar crítico sobre o que ele tá recebendo. Mas independente disso é legal ver a galera fantasiada e a caráter pra festa. Querendo ou não, a postura e a imagem da banda permite essa paixão bacana, que é do público fiel. Mesmo os não-xiitas de ontem, que não conheciam e não eram fãs tão assíduos se fidelizaram, inclusive eu. Todo mundo se acha melhor amigo da banda. E eu também saí de lá assim.

A principal idéia por trás de tudo que me impressionou foi a originalidade em todos os aspectos. E nesse bolo a musicalidade é que tem menos o que impressionar e ao mesmo tempo o que existe de melhor. A música é por horas rock, por horas samba, por horas toada. No fim, eu consegui entender como música folclórica moderna. Tem o poder de te animar, contar uma história e te tocar. A qualidade musical da banda é maravilhosa e o casamento de idéias e a paixão pela música que possuem é emocionante e visível. E isso me fez identificar muito com a minha noção de música. Se você não é apaixonado pelo seu trabalho você tá fadado à merda. Se você o é, não existe como dar errado.

Quanto ao show é difícil comentar. Me falaram que eu tinha que ver o show e, de fato, você tem que ver o show. Todos os músicos/palhaços e bailarinos/palhaços possuem uma energia física sensacional, pulando, dançando, malabarisando, decendo no tecido ou brincando no trampolin, subindo uns nos outros, se pentelhando, e assim vai. Querendo ou não você fica toda hora esquecendo que tá naquela onda artista-palco e se sente no circo ou no meio de uns amigos brincalhões. A iluminação mostra o entrosamento de toda a equipe (apesar de, em alguns momentos eu achar que houveram algumas falhas e erros técnicos mesmo, mas nada grave) e a participação quase ativa de roadies e técnicos no show é muito bacana. Além disso, a presença de performances circenses te distraem e o show passa voando. Você não consegue focar em um músico ou em uma música porque todos eles te chama atenção em algum momento. Com você lá, super entrertido, eles tocam, você ouve e acha sensacional.

A propósito: Hats off pra todos os músicos. Todos, sem exceções ou ressalvas. A muito tempo não via uma banda grande com uma qualidade técnica tão fantástica. Eu fiquei absurdado com todos.

E só pra constar também: eu nunca gostei, não gosto e acho que não mudo de idéia quando o assunto e DJs em bandas acústicas. Scratchs não são uma coisa legal e sempre me irritam. Nada pessoal com nenhum DJ ou com o trabalho em si. Só acho que é o lugar errado. E sem mais.

Voltando: No fim das contas, tem um cara que se eu não comentar separadamente, não dá. O Sr. Fernando Anitelli.

Líder é lidér e fim de papo. Eu tenho um prazer gigante em tocar bateria sabendo que o vocalista, a cara da banda, é um cara que eu tenho absoluta confiança e respeito. No meu último trabalho tive essa honra e foi sensacional. E o Sr. Antinelli (só consigo me referir a ele assim) me inspira essa imagem. Primeiro que ele não me parece um babaca só porque é vocalista e é claro que a trupe inteira tem voz ativa na brincadeira. Segundo porque ele fala bem pra caralho e tem uma presença de palco filha da puta de boa. (Opa! Outro ponto. Não só ele, mas todos da banda tem uma presença de palco filha da puta de boa). E pra fechar, o cara tem uma visão de música e mercado que é a minha preferida. Depois do Lobão eu sempre fico com um pé atrás com os artistas que pregam a não-dependência de gravadora. Apesar de não sentir a mínima vontade por parte do Sr. Antinelli de ter que depender de uma, ver ele mudar de idéia seria uma grande decepção. De um tempo pra cá ele e o Teatro Mágico me fizeram entender duas coisas muito bacanas e isso me inspira mais admiração ainda neles.

O Teatro Mágico hoje é a concretização do que a internet representa atualmente pra música. Pra quem não sabe, todas as músicas, publicidade, clube de fãs e etc. partiram da internet. Como ele mesmo disse, é uma música que veio da galera, sem forçação de barra por parte de mídia. Querendo ou não, gravadora serve pra duas coisas hoje: distribuir e divulgar. Nem vou perder meu tempo falando no que a internet representa pra distribuição. E a divulgação vem da outra coisa que eu acredito. O que é bom não precisa de publicidade, só precisa de suporte. Se você jogar Teatro Mágico no Google ou no Orkut acha tudo o que precisa pra virar um fã de carteirinha. Eles não ficam te martelando que eles existem, mas quando você vai ver de qualé, tá tudo fácil. E que se foda o resto. Os caras utilizaram todos os meios eletrônicos pra divulgar seu trabalho, deram material pros fãs e tudo se fez sozinho. Não é a tôa que eles ganharam o prêmio de melhor show do ano pelo público da folha de São Paulo. Ganharam por que são bons e fazem o que o músico deve fazer: estar onde o povo está. E assim eles ganharam o meu respeito.

Pra fechar, vão os alertas. A gente tende a ser tendencioso e a coisa tá na onda. Felizmente eu acredito que não vai ser mais uma banda modinha por aí. Os caras são foda e tem muito o que fazer. Eu confesso que fui doido pra não gostar pois eu realmente odeio essas ondinhas e prefiro ver as coisas depois desse tesão social. Mas eu me identifiquei pra caramba. E, além de tudo eles tocam Crash Into Me, o que foi meio desleal pra mim da parte deles. :P

E pra diveritir: A Iza me encheu o saco pra mandar beijo pra todo mundo. No fim do show todo mundo cercou o camarin e eu tava cansado e, sinceramente, não queria dividir atenção deles com ninguém (huahuahuaha). Só esperei o Sr. Antinelli sair, peguei ele na reta. Eu queria realmente ter batido um enorme papo com o cara e ele se mostrou disposto. Mas tinha muita gente por perto e eu fiquei incomodado. Sendo assim, se procedeu foi o seguinte diálogo:

Eu: – Fernando! A Iza, Jaca de Santos te mandou um beijo!
Pausa. Cara de surpresa. Reação diferente e bem legal.
Sr. Antinelli: Pô! Que du caralho! C conhece ela?
Eu: Conheço. O apelido de Jaca fui eu que dei, inclusive.
Sr. Antinelli: [Gargalhada] Pô bicho! Que ducaralho! Manda outro! Gostou do show?
Eu: [Dando uma de amigão] Cara, sensacional. Tô maravilhado. Parabéns pelo seu trabalho. [E fui dar um abraço. Abraço correspondido] A Iza fala que a gente [apontando pra mim e pra ele] tem muita música pra conversar.
Sr. Antinelli: Ah é? Então eu quero conversar muito de música com você ainda.
Eu: Então a gente se encontra um dia pra bater papo?
Sr. Antinelli: Combinado.
Eu: Então falou. Vou nessa que a galera tá fervendo.
Sr. Antinelli: A gente se ver por aí. [Pausa. Cara de interrogação pra mim. Eu assustado. Sorriso dele.] C parece o Selton Melo cara!
Eu, já afastado pelo povo: Ah… Táquipariu… Até ocê?

P.S.: Eu desejo pesadamente a Lígia Moreno.

Viva a Música! Diogo Freire 15 Dec 2007 9 Comments

Lições de Vida de um programador #1

Mesmo que você já tenha 10 anos de experiência e já saiba disso, afirme e pregue: sempre faça o backup de uma tabela / banco / qualquer coisa antes de sobrescrevê-la / deletá-la / substituí-la.

Ossos do ofício Diogo Freire 14 Dec 2007 No Comments

The Police

Só pra citar que eu só me fodo com o preconceito musical (não sei de quê) bobo que tenho por vezes. Eu sempre achei que The Police ia ser aquela coisa anos 80 chata. Empolgado pelo show que rolou eu baixei a discografia pra ver de qual era. O negócio é bom pra caraaaaaaaalho. Tô absurdado. Tô até meio puto de não ter ido ao show no Rio.

Viva a Música! Diogo Freire 10 Dec 2007 5 Comments

Dos Top #1

Não tem jeito mesmo. Apesar da competição ficar pesada, Lost perde pra FRIENDS na minha série de TV favorita. Nos livros, o Guia do Mochileiro da Galáxias e continuações são meus guias espirituais. E por mais que eu queira tentar desbancar ouvindo um monte de coisa, Dave Matthews Band é a banda dos sonhos e #41 é a melhor música do mundo.

Mamãe sou Nerd Diogo Freire 10 Dec 2007 1 Comment

Da vida

Diogo:
será que um dia a gente dá o troco véi?
R:
não. acredite. nunca!
Diogo:
isso é confortante.

Pô! Peraê, carambola! Diogo Freire 06 Dec 2007 1 Comment

Da morte

O foda da morte, seja ela do que for, é o problema da energia. Quando alguma coisa – friso: coisa – morre na nossa vida o mais difícil é ver se esvaindo toda a possibilidade de felicidade que a sua energia depositada no artefato em questão criou. É assim com sua mãe ou com o sua blusa preferida rasgada. Dentro das devidas proporções, você se esforçou por algo que te deixa feliz e essa coisa se vai por entre os dedos.

O sofrimento é consequência e proporcional à sua dedicação. Quanto mais, pior. O problema é quanto mais você ama mais você dedica. E partindo do princípio que nada é eterno, você se fode mais.

Por fim, você sempre fica mais puto quando alguém que não você quebra aquilo que você ama. Quando a culpa é sua pelo menos você age de acordo com tal. Quando a impotência te domina a coisa é consideravelmente pior.

Incomodou a caixola Diogo Freire 05 Dec 2007 1 Comment