
É. Resolvido de última hora, chegando no Marista na hora que o show começou. De camisa laranja e não preta como devia. Com medo dos xiitas. Mas foi DUCARALHO. Mesmo.
A gente nunca espera pouco de quem tem o tanto de CD que esse povo tem, o tanto de fã que esse povo tem e de quem tira o som que esse povo tira. Por mais melódicos, virtuosos e posers que sejam, eles são foda. Demais.
Pra começar a brincadeira me aconteceu algo que eu não esperava. Já faz um tempo eu gosto de ver os shows sentadinho, curtindo a banda, a produção do show, o som. Sem farra, bagunça, suor e cotovelos. Mas quando cheguei no Marista eu fui atrás daquele que é a melhor compania para shows cujo baterista merece um beijo na boca e que tava lá no meio da galera, perto da grade. Quando cheguei perto o show começou. E aí eu o perdi. Me vi sem ter como ir a lugar nenhum. Aceitei e por ali me estabeleci.
Fiquei meio assustado de começo. Mas confesso: Xiitei. De com força. Pulei, gritei e cantei a valer. Mesmo. Adolescente total. Olhinho brilhando com os caras no palco. Isso durante uma hora e meia do show. Até o momento onde meu joelho e meu pescoço entoaram juntos algo bem parecido como “Amigão, já deu. Bora sentar, vão?”. O ponto positivo é que descobri que meu cabelo ainda me deixa ser um excelente headbanger. One of the best, mam’. One of the best.
Eu sai com um sentimento incompleto de lá, mesmo achando o show sensacional. Eu esperava aquele palco foda dos DVDs, com iluminação e produção absurdas. Isso tudo foi mostrado de forma normal, sem nenhum extra. O som do Marista estava, estranhamente, MUITO bom. Dava pra entender tudo que o LaBrie cantava e o balanço dos instrumentos estava sensacional. Cada peça da batera do Portnoy tinha um som nítido nas caixas, sem embolação ou desequilíbrio. Isso me absurdou uma vez que não é normal no Marista.
O show tem lá seus poréns. Nessa fase galerão que eu estava, a alternância entre picos de agitação e punhetagem virtuosas cansa. Por horas você está pulando horrores com a galera que habita a mesma região com você e de repente começa um solo gigante do Petrucci (guitarra) ou do Rudess (teclados). E aí você pára e espera. Vai indo isso cansa. E me lembra que se eu tivesse sentadinho pra poder curtir isso, tinha sido mais agradável. Como dito por lá, nas horas dessas fritações a melhor coisa era voltar os olhos pro Portnoy. Ele é poser, tirado, exibido, mas ele é foda. Foda, foda, foda. E você se diverte a valer com ele.
A presença de palco é uma das minha preferidas. A galera fica a maioria do tempo parada, no seu meio metro quadrado. Mas o bloco é sólido e o palco fica cheio de gente. Os responsáveis por colorir a coisa são o LaBrie – que fica no palco por 30% do tempo do show – e do Portnoy queridão. Mikezin pros íntimos. Ele é cheio das palhaçadas e gracinhas. Taca 200 baquetas na galera, tocá em pé, zoa o Petrucci o show inteiro. Além disso taca baqueta pro alto no meio da música, gira ela toda hora na mão. E ele cospe. Muito. Pra todos os lados. Cospe tanto quanto toca. E ele também toca. Muito. Demais. Um monte. Lindamente. Fodamente. E pra todos os lados.
Por momentos eu fiquei perdido reparando uma figura que, só não passa despercebida, porque ocupa um lugar no palco. O cara não olha pra nada a não ser pra mão esquerda dele. Fica ali quietin, debulhando o baixo de com força. O tal do John Myung pode não ser lá o cara mais carismático do mundo. Eu já achava ele foda. Mas depois de ontem ele ganhou alguns pontos a mais na minha escala Samurai. Ainda mais que ele tem cara de Japonês (notaram como eu tô engraçadinho hoje?
).
Ontem eu tive a mesma impressão que tive quando vi os Stones e Chico Buarque. Tinha alguma coisa além ali. Aquela coisinha mágica, meio hipnotizante, que vai alé.? Não sei se era a barba azul do Portnoy. Não sei se era um monte de gente cantando com o útero, tendo-o ou não. Não sei se foi alguma coisa que eles colocaram na água. Mas, mesmo com vários “mas”, “podia ser melhor”, e adjacências, os harmônicos de baixo iniciais de As I Am não tocam de uma forma normal. Rolou um “frio na espinha”. E esse felling é ducaralho e dá um tesão filha da p*** de bom!
A minha sede foi parcialmente sanada. Eu ainda preciso ver um show deles com a produção que eu e esperava. Isso vai acontecer em um futuro breve. Cês vão vê. Por hora, já tô satisfeito. E muito!