Não sei se o que quero falar é a proposta correta do blog. Se não for, reprimam-me.
Dia de aniversário é muito engraçado. Sempre foi, desde quando tomei uma relativa noção sobre o que isso significava na minha vida. É muito engraçado ver como certas coisas não mudam. Principalmente a forma que minha cabeça costuma pensar um monte de coisa nos dias que circulam meu aniversário.
O que de mais engraçado que aconteceu nesse ano em que completo duas décadas de existência foi a forma que a tecnologia provou um bucado de coisas que eu venho pensado durante um tempo. Há uns 6 meses suicidei no Orkut, por n motivos. Não aguentei a pressão social que andei sofrendo e acabei retornando. Nesses seis meses recebi cerca de 300 scraps. Tenho preguiça de abrir a calculadora pra fazer a média diária, mas é perceptível que ela seja baixa. Hoje, recebi uma quantidade incrível de scraps. Cerca de 40. E num primeiro momento fiquei feliz, inchado no meu ego imbecil. Depois que vi que o número foi só aumentando comecei a perceber como estava sendo tolo. Não que eu tenha ficado triste; pelo contrário. Mas me impressionei com o número de pessoas que não tem o mínimo contado cotidiano comigo que escreveram os melhores votos possíveis. Além de ter me perguntado o quão idiota tenho sido com essas pessoas, comecei a me questionar até que ponto minha cara na página principal não contribuiu para que essas pessoas soubessem do meu aniversário. Será que metade delas teria se lembrado disso? Alías, saber é o verbo mais correto, porque pra muitas delas nunca falei a data do meu aniversário. Vale dizer que fiquei grato, de qualquer forma. Saldo do dia: segundo suicídio no Orkut, sem pensar muito, por ser uma idéia supérflua, inútil e completamente expositiva. Serve como excelente cartão de visita, e pretendo voltar à velha época que as pessoas tinham que conviver comigo para conseguir formar uma opinão madura sobre mim, seja ela boa ou ruim. Além disso, a única serventia atual é a vigilância da vida alheia. A teoria do six steps já foi pro alto a muito tempo, tendo em vista que todo mundo adiciona todo mundo, então, pra ser só mais um prefiro ser mais um do lado de fora, obrigado.
Fora isso, fiquei muito feliz com todos os desejos que recebi. Não tem como não ficar.
Relacionada diretamente com o que já disse, outra coisa que me assustou foi como a internet tem feito tudo mais fácil, entendendo-se frio. Isso é meio contraditório, pois não me importo que esqueçam ou que não mandem uma mensagem no meu niver, pois eu também esqueço. Às vezes uma palavra ou outra já bastam, seja ela que hora for. Mas a mecanicidade da coisa que é assombrosa. “Opa! Aniversário! Devo escrever parabéns, e desejar tudo de bom.”. Recebi algumas mensagens do tipo “Tudo de bom procê, seu viadinho!”, “Ocê é doido mas o mundo gosta docê” e coisas do tipo que me tocaram muito mais verdadeiramente. Entendo que cada um tem seu motivo, por um lado ou pro outro, mas sei lá. Senti tudo muito frio, muito técnico. Pessoas que outrora faziam maior festa, ligavam, faziam questão de dizer um singelo oi, hoje, quando se lembraram, o fizeram por mera formalidade. E isso é o que faz com que eu não faça questão de comemorar. O fato de eu estar vivo é algo que comemoro a cada dia, e não em um pacote de um ano. Não espero um ano pra mostrar o quanto gosto e o quanto quero bem daqueles que estão a minha volta. Tento fazer isso continuamente, errando ou acertando, mas tento fazer. E, também contraditoriamente, guardo os aniversários só pra afirmar isso. E acredito que muitos façam isso também. Mas o fato é que tô me tornando um maldito Geek Virtual (pleonasmo pouco é bobagem) e me prometi pensar pra ver as possibilidades que tenho pra voltar a existir de carne e osso pra evitar que emotionicons me abracem ao invés de pessoas de verdade.
Em volta disso tudo fico pensando um bucado de coisa. Estranho como poucas certas datas me fazem pensar: e uma delas é esse dia que coincide com a data do meu nascimento em mês e dia, todo ano. Fico tentando levantar o que passei pelo ano e o que aprendi com isso. Após algumas tentantivas venho vendo que isso é meio inútil. Vejo que a vida tem me dado algum dicernimento pra ver as coisas duma forma mais correta. Pena que isso aconteça algum tempo depois de que realmente precisei ser inteligente. Mas acho que a longo prazo esse tempo vai diminuindo.
Tenho andado meio discrente com as coisas. A minha esperança sempre transcende o meu tempo de vida. Tenho desejado muita coisa, tentando muita coisa, acreditado em muita coisa. E tudo que tô vendo é que o mundo, humanamente falando, tem se contentando cada vez mais com cada vez menos. Ninguém se preocupa em aprofundar em nada. Todos só buscam o prazer e fogem do stress, do compromisso, da responsabilidade. E tô vendo que aos poucos tenho me tornado uma pessoa assim, e isso tem me irritado profundamente. Tenho jogado situações e pessoas por terra, sem o menor ressentimento. Descartado tudo aquilo que tenho julgado desnecessário passar. E o pior de tudo é que tenho passado isso consciente que isso não é o certo. Perante isso tudo tenho tentado dar o valor que julgo justo às coisas que me deparo e só o que vejo é que valor é algo entrando em extinção, e se tornando difícil de ser encaixado em um conceito de justiça. O valor e a justiça das coisas vêm sido medidos constamentemente pelo seu nível de sucesso, e pela sua consequente posse de dinheiro. Tudo gira em torno e para o dinheiro. E cada vez mais me dá preguiça de perguntar certas coisas. Me entristece o fato de cada vez mais estar me tornando o sujeitinho que a sociedade gosta. Instruído, revoltado, comportado. Não mata, não bebe, não fuma, não rouba, não protesta. Apesar disso, tô bem assim. Não acho ruim. Só não me contento plenamente com isso.
Diante toda essa revolta, fico feliz no tanto que a música tem me feito bem. Talvez seja por isso que ultimamente tenho medido meu tempo por quantidade de músicas. Tenho demorado em média 10 músicas pra ir de casa pra facul, 3 pra ir da facul pro trampo e umas 15 pra voltar do trampo pra casa. E geralmente elas têm sido acompanhadas de tapas insistentes nas minhas pernas. A bateria tem me trago um mundo mágico. Algo que não pode ser tirado de mim. Um barulho que eu tenho pleno poder e amor. Alías, não tão pleno poder, e é por isso que voltei a estudar. Mas não consigo explicar. Acho que no fundo, no fundo, é a idéia da fama e de todas aquelas coisinhas idiotas que meu inconsciente quer, apesar de eu conscientemente ter tocado por estar sendo algo que me faz bem.
Os meus maiores medos têm acordado à medida que eu tenho visto o que eu sou capaz de pensar. Quando eu imagino que o pensamento é algo que não pertence a ninguém, vejo que se alguém tiver as mesmas idéias que eu, e for um pouco mais corajoso, as coisas ou vão muito bem ou muito mal. E temo mais a primeira que a segunda. Não me pergunte o porquê. Medo é um substantivo que não suporta porquês.
E sabe de uma coisa? Pouco me importo com muita coisa. Sou feliz além de todos os paradoxos internos que vivo. O universo é um paradoxo, e esse fato se dá por ele ser infinito.
Wimps
O que te importa?
Escarro interno
Era pra entender? & Incomodou a caixola & Pô! Peraê, carambola! Diogo Freire 27 Sep 2005 3 Comments


Rodrigo Medeiros responded on 28 Sep 2005 at 16:01 #
Bicho, mas essa virtualidade, essa “vida digital” é um saco e muito superficial. Bem como aquela brincadeira que fiz com você, tipo: Cadê seu blog? Não sei mais nada a seu respeito.
Mundo virtual sucks.
Iza responded on 10 Sep 2006 at 04:47 #
Seu aniversario ta chegando entao me propus a ler oq pensava meu amigo ha um ano atras….creio que muita coisa mudou, amadureceu, e principalmente hoje vc está no orkut (e eu não, há!). Não tem como eu esquecer teu niver, nem que eu quisesse, mas o bacana de tudo é ver e aprender um bucado de coisa com um cara 4 anos mais novo que eu.
Podexa, anotei tudo, apertei F5 e consultei meu coração….Creio que vou tentar corresponder legal seus 21 anos, embora sabendo de antemão que nao sera melhor que os 22.
Amo vc meu jovem velho amigo.
Thaís responded on 26 Sep 2006 at 17:24 #
Chega a ser emocionante…
Vc é foda.